outubro 12, 2010

A força da mídia social

Definido pela autora como um “devaneio cognitivo”, o livro A força da mídia social pode ser considerado um guia para a construção de uma sociedade que entenda comunicação digital como uma forma de narrativa 2.0. A nova obra de Pollyana Ferrari, jornalista, escritora, professora, pesquisadora de Novas Mídias e também autora dos livros Jornalismo Digital e Hipertexto, Hipermídia, traz uma visão abrangente e filosófica da ciência comunicacional tão presente no mundo moderno.

Dando início a sua viagem no tempo para contar a história do nascimento da web 2.0, a autora nos leva a uma reflexão sobre linguagem interativa e os canais que abriram portas para a realidade coletiva hoje ativa na web. Ao passar pelos anos 80 e suas contribuições culturais para sociedade, Pollyana nos mostra uma visão diferenciada da década perdida, ressaltando o potencial daquela então juventude em potencializar a coletividade a partir de movimentos pessoais e particularizados em uma identidade segmentada por nichos, que atualmente impera na internet.

Ao destacar o papel do jornalista na era digital, a autora descreve as mutações sofridas pela narrativa jornalística para adequar-se ao universo online. “A distinção fundamental que está em jogo é a de que a comunicação tem a ver com conteúdos e com a circulação, ao passo que a informação não se refere a conteúdos, mas sim ao modo como estes entram (ou não) em circulação”. Através de uma linguagem simples e direta, compatível com a escrita do ambiente online, a obra traz uma visão ampla de plataformas digitais e jornalismo multimídia, além de exemplos concretos de idealização e produção de projetos como o Remix Narrativo, o qual buscou mapear a evolução da narrativa a partir da mudança de estado do receptor, que deixa de ser passivo para tornar-se ativo no processo de criação coletivo.

A força da mídia social é resultado da tese de doutorado de Pollyana Ferrari na Universidade de São Paulo – USP e relata o longo trabalho da jornalista com internet, na qual atua desde 1995, com passagens em grandes veículos como Época Online e Portal IG. O livro, também disponível na versão E-book, tem tudo para se tornar leitura obrigatória em cursos de comunicação e até mesmo ocupar lugar de destaque na cabeceira de futuros comunicólogos, que poderão não conhecer outra forma de produzir conteúdo se não a digital.

setembro 1, 2010

A evolução da escrita em debate

Iniciada em abril de 2010, a série de encontros mensais Nós Digitais, promovida pela ESPM RJ em parceira com o Globo Universidade, oferece ao público uma reflexão gratuita, sempre na última segundas-feira do mês, sobre o cenário da comunicação atual e da condição humana mutante no universo da modernidade.

O terceiro encontro do ciclo, realizado no último dia 30 no teatro Oi Casa Grande, no Leblon, teve como tema O nascimento e desenvolvimento da escrita e contou com a presença de Paula Sibilia, professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora do livro O Show do Eu – A intimidade como espetáculo, como palestrante.

Com uma narrativa simples e direta, Paula inicia a palestra estabelecendo a trajetória da escrita ao longo do tempo, desde os papiros e pergaminhos, passando pela ideia de bibliotecas e enciclopédias como formas de acúmulo do saber humano, até a realidade da escrita digital dos tempos de hoje. Utilizando recursos audiovisuais como aliados de seu discurso, a palestrante falou sobre o contexto histórico da escrita, mostrando a criação do conceito de interioridade no final do século XVIII, o que originou o perfil do sujeito introspectivo, tão retratado nos romances da época. Jane Austen e Virgínia Wolf são alguns dos nomes citados pela professora como contribuições significativas para a constituição do ser humano moderno. “A leitura e a escrita são aliadas deste então homem moderno que se auto constrói através da literatura”.

Paula considera a morte do narrador oral um importante marco para as mudanças que viriam a ocorrer no modo de vida do burguês dos séculos XIX e XX. Segundo ela, a febre da internet e das redes sociais colocou o indivíduo em constante necessidade de compartilhar sua intimidade, pondo fim à introspecção e solidão dos personagens dos livros de 1800. “Os conceitos de público e privado estão sendo modificados. Esta é a grande discussão do momento. Acredito que nossas idéias oitocentistas estão sendo deixadas para trás, mas a nossa perplexidade com este universo expositivo ainda é fruto de uma herança deixada por elas”. Quando questionada sobre a força das redes sociais, Paula enfatiza as fragilidades e vulnerabilidades que estas novas ferramentas podem provocar, além de questões éticas e morais, mas acredita em seu potencial inovador. “O ser humano é plástico, uma matéria que pode ser modificada a todo momento. Estamos nos reinventando com estas ferramentas digitais e se até hoje já mudamos desta forma, imagina o quanto ainda não podemos alcançar?”

agosto 22, 2010

Polêmica abortiva

Não existe mulher moderna que desconheça a pílula do dia seguinte. Vilão para uns, salvador da pátria para outros, o medicamento se tornou parte da vida de grande parte da população feminina ao redor do mundo.  No último dia 13 de agosto, autoridades de saúde dos Estados Unidos aprovaram a comercialização de uma pílula do dia seguinte que pode ser ingerida até cinco dias após o episódio da relação sexual sem preservativo.

Batizada de Ella, a droga, proveniente de um laboratório francês, surge no mercado americano já sendo comercializada em diversos países da Europa e aumentando a polêmica em torno do aborto. A questão de fato é complicada. O risco de o medicamento ser encarado como contraceptivo por suas usuárias, alimenta a ideia de que a classe feminina ainda precisa ser educada de forma a encarar a relação sexual sem proteção como um ato de risco. Do ponto de vista médico e científico, a pílula é uma bela descoberta que pode vir a desvendar mistérios ocultos dos hormônios humanos. Os números impressionam: segundo o fabricante, tomando a pílula até três dias após a relação, a mulher tem apenas 1,9% de chance de engravidar. Ingerindo o medicamento no quinto dia, a porcentagem sobe para 2,2%,  que ainda é muito baixa.

Como toda boa polêmica, o assunto ainda vai dar o que falar, tanto nos Estados Unidos, que só passarão a comercializá-la no fim do ano, como no resto do mundo globalizado. Resta saber se a população feminina irá saber encarar com a devida parcimônia esta nova faceta da ciência tecnológica.

E você, o que pensa sobre a nova pílula?

Fonte: O Globo Online

agosto 17, 2010

Crítica: A Origem

Depois do recente sucesso de Batman – O Cavaleiro das Trevas, ninguém esperava que o diretor Christopher Nolan  pudesse superar o feito tão cedo. O filme A Origem (Inception) chegou aos cinemas há pouco menos de duas semanas para provar exatamente o contrário e conquistar críticos e fãs com seus artifícios visuais aliados a uma boa dose de embasamento dramático.

Com uma trama envolvente desde o primeiro minuto de exibição, A Origem triunfa ao abordar de maneira inusitada um tema já tratado, mas nunca tão bem explorado: sonhos. Em um jogo de imagens impecavelmente construído, Christopher Nolan instiga o público a não tirar os olhos da tela ao misturar ficção e realidade e plantar a semente da dúvida na mente do espectador. Digníssimo merecedor da estatueta da Academia Americana, o ator Leonardo Di Caprio mais uma vez encanta ao interpretar um homem cheio de segredos, o qual usa a linha tênue entre vida real e ilusão para manter vivo um sentimento que não consegue deixar seu coração.

Por envolver questões de psicanálise, subconsciente e percepção de realidade, a comparação com a trilogia Matrix é inevitável.  O roteiro de Nolan se destaca por ser um filme de ação repleto de mensagens subliminares as quais podem ser interpretadas como questões de uma película dramática, o que faz com que sua história se aproxime ainda mais do público.  Um enredo complexo, um contexto inesperado e um desenrolar surpreendente. Quem for assistir A Origem não deixa o cinema sem questionar se está vivendo ou não um sonho dentro de uma suposta realidade.

agosto 3, 2010

Horário nobre

Eu lembrei de você na semana passada quando o carinha da novela das nove largou o então amor da vida dele para salvar alguém a quem ele tem muita consideração e carinho: a mulher que sempre foi apaixonada por ele. Eu não sei dizer se a lembrança veio do amor nunca correspondido da mulher ou se da compaixão do homem em resgatá-la a tempo antes de cometer um dos maiores erros de sua vida. O fato é que me coloquei na situação da mocinha e me perguntei se você seria capaz de fazer algo do tipo por mim. Na verdade, você sabe que eu não te amo mais. Eu sei que você sente a diferença no olhar e no toque e eu também sei que você se sente aliviado por isso. Eu também fico tranqüila quando olho pra você e a respiração não falha enquanto as batidas do meu coração permanecem na mesma frequência. Mas e se eu estivesse a ponto de destruir a minha vida, você viria me salvar? Será que eu, cega de paixão pelo Mr. Wrong cederia aos laços de paixão antigos e daria uma chance para aquilo que uma vez foi o meu maior desejo? Será que você, do alto do seu orgulho tão peculiar, conseguiria praticar o altruísmo e abrir mão de parte da sua felicidade em prol da minha? A gente já se ajudou tantas vezes… Entre telefonemas à base de álcool e choros compulsivos na calçada, o nosso carinho e respeito um pelo outro só cresceu, transformando-se nessa gostosa sintonia hoje presente. Existe ciúme, mas sem cobrança. Existem afeição e tesão livres de qualquer complicação. Mas na situação da novela, tudo é diferente. Lá, os mocinhos estão falando de decisões e escolhas que podem modificar para sempre quatro destinos. Lá o Rodrigo Lombardi te representa muitíssimo bem enquanto eu ganho um visual moderninho na pele da novata Mayana Moura. E mesmo com todo o meu charme, simpatia e histórico, sei que é praticamente impossível competir com o espaço que a sua Carolina Dieckmann ocupará no seu coração. Só me resta escolher um Reynaldo Gianecchini à altura para deixar a disputa ainda mais acirrada.

julho 26, 2010

Crítica: Dança dos Famosos

E daí que a Globo resolveu transformar a final da Dança dos Famosos em último capítulo de novela. Durante toda a semana que precedeu a grande final do quadro do Domingão Faustão, pseudo repórteres (bailarinas com microfone na mão) da atração, há muito falida, foram às ruas para saber – e estimular – a torcida do público. Em meio a todo este clima de grande acontecimento, as próprias participantes acabaram incorporando um perfil de disputa acirrada. Mantendo sempre a classe e espírito esportivo, é claro.

Como qualquer amante da boa programação televisiva, eu sempre odiei o Faustão e nunca perdi meu tempo assistindo-o, mas o fato é que, como na maioria das casas brasileiras, aos domingos a TV fica ligada na Globo por puro descuido. E foi num desses descuidos que eu fui apresentada à Dança dos Famosos há alguns meses atrás. Confesso que a primeira vista acompanhei para rir das tentativas desastrosas de Ana Maria Braga e da simpática irreverência de Bruno De Luca. Aos poucos fui conhecendo os outros participantes e vi nas finalistas Sharon Menezes e Fernanda Souza duas fofas e talentosas, as quais eu facilmente seria poderia ser amiga.

De acordo com “especialistas”, esta foi de fato a edição de mais alto nível técnico apresentado pelos participantes, com destaque para as finalistas. Quando somado ao gosto do público, este diferencial ganha um peso enorme, eu sei. Mas isso não deveria fazer com que o programa se tornasse um pano de fundo para a Dança dos Famosos, que foi exatamente o que aconteceu. Ao invés de cercar a programação com entrevistas de finalistas e flashes de opinião da audiência sobre a final, a produção do Faustão deveria prestar atenção na mensagem subliminar aí existente: o Domingão é uma merda e as pessoas não assistem, salvo raras exceções como esta. E agora que a Dança acabou? O que será da superficialidade e do humor de mau-gosto do programa? Eis a questão. Eu só sei que a Fernanda Souza arrebentou e mereceu levar a melhor. O resto é problema da Globo.

junho 27, 2010

Cobiça

Ando com vontade de matar aquela vontade. Aquela que dá e passa, mas às vezes não passa e aí você fica ansiando por aquele momento de êxtase absoluto como se fosse a última gota de água no deserto solitário e sufocante. Vontade que te faz gritar, envolver, apreciar. Vontade de fazer com que essa vontade se torne latente e consciente para então crescer como algo descente. Vontade de não precisar falar ou dizer, que se faça entender com um único olhar. Vontade de preencher, dar forma e saber exatamente como o fazer. Vontade de saciar a vontade, com uma sede digna de um cenário animalesco. Vontade de não mais ter de lidar com a vontade que atormenta todas as outras vontades que podem haver dentro de mim. Vontade de esconder dessa minha vontade a verdade enfim.

junho 19, 2010

Lágrimas literárias

Há cerca de dois meses atrás eu devorei o livro Caim em apenas três dias. Lembro que ao terminar a última página pensei: quando acham que o autor não pode se superar, ele surpreende com mais uma leitura espetacular. A morte do escritor português José Saramago deixa marcas profundas no cenário da literatura mundial, não só pela sua excelente escrita, mas também por sua sincera e realista visão de mundo sempre tão bem articulada e reproduzida em palavras.

Há quem diga que a falta de pontuação nas histórias de Saramago as classifica como leituras de difícil compreensão. Eu discordo. O que falta, na verdade, é uma cultura de boa leitura na sociedade. Cada vez mais os livros contemporâneos transparecem uma evasão da boa escrita, dando lugar a uma suposta informalidade, a qual pode ser confundida com pobreza literária. Não, não estou dizendo que os escritores modernos são todos uns merdas. Ao contrário, nos últimos anos temos visto uma nova safra de autores muito bons, principalmente brasileiros. A grande questão é conseguir enxergar o quanto a literatura em si vem perdendo a sua essência.

A genialidade de José Saramago não provém de seu Prêmio Nobel, o único concedido a uma obra na língua portuguesa, nem mesmo da grandeza de seu nome, que é hoje um dos mais consagrados na história da escrita mundial. O diferencial deste homem que soube reaproveitar a vida aos 63 anos, quando encontrou o amor que sempre buscou, está justamente na maneira com que conseguiu, em cada uma de suas obras, expor a fragilidade do homem enquanto ser humano numa sociedade em que sê-lo é quase um crime. Sou fã incondicional de Saramago e posso dizer que o meu lado acadêmico sangra com a sua morte. Amante da boa leitura, sofro ao saber que não mais terei surpresas literárias advindas do mestre da literatura, ao mesmo tempo em que deixo correrem lágrimas de felicidade por ter existido alguém que tão belamente provou ser possível se criar arte com as palavras. Como disse o cineasta brasileiro Fernando Meirelles, o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego com a morte de Saramago.

junho 6, 2010

My Bradshaw facts

E daí que eu fui assistir Sex and City 2 muito mais pelo figurino do que por qualquer outra coisa. Como amante da série e detentora de todas as suas ótimas temporadas, dei uma chance para as quatro moças de New York me conquistarem novamente. O guarda roupa, no entanto, me decepcionou – as fabulosas indumentárias da Carrie Bradshaw deixaram muito a desejar. A grande surpresa veio na mensagem do filme em si. Enquanto sentada naquela sala escura de cinema, vi flashes passarem pela minha cabeça enquanto as imagens do filme desfilavam por meus olhos.

Pode parecer meio clichê, mas o que sempre me atraiu no seriado foi a relação conturbada de Carrie com o famoso Mr. Big. É claro que a liberdade sexual de Samantha, o pudor de Charlotte e a excentricidade de Miranda prendem a atenção, mas são os dramas de Bradshaw que dão vida à história. E nos filmes não foi diferente. O primeiro já havia me encantado ao mostrar como é possível, após anos de espera, ter a pessoa amada ao seu lado, de um jeito ou de outro. O segundo surpreende ao retratar a dificuldade de se lidar com aquilo que sempre se sonhou ter. Por estar acostumada a viver sem, Carrie não consegue administrar o fato de ter o amor da sua vida finalmente ao seu lado.

Acredito que toda mulher tem ou já teve um Mr. Big na vida. Aquele tipo de relação que te neutraliza, prende e até cega. Uma paixão que transcende a razão. Um amor, que mesmo ausente, aquece o coração. O Big, como todo bom galã, tem suas fases.  Começa sendo aquele tipo de cara que você sabe que não deve dar corda, mas se entrega achando que pode conquistar. Após a primeira decepção, você jura nunca mais amá-lo. E aí vem a recaída, o sofrimento, a solidão. Mr. Big que se preze já teve relacionamentos longos e duradouros, que por vezes chegaram a te assustar. Mas ele é o cara que nunca esquece de você. Segundo ele, você a única capaz de compreendê-lo e isso te faz derreter. Para Carrie, a espera foi longa. Ela se envolveu com diversos homens ao longo dos anos até que percebe, junto com Big, que os dois se amam do jeito mais estranho possível e que foram feitos um para o outro. Os filmes tratam das questões que sucederam este fato e mostram como é difícil estar ao lado do homem que amou à “distância” por dez anos.

While watching those scenes where they really look in love with each other, I got to thinking: e se o final feliz não for privilégio da Carrie? E se for possível, após uma vida inteira, deitar ao lado do seu eterno amor para assistir um filme preto e branco na TV? Talvez seja ilusão, talvez não. O que eu sei é que o meu Mr. Big hoje permanece num lugar escondido do meu coração, que já não tem expectativas, ao mesmo tempo em que vive perto de mim, me surpreendendo a cada dia. No meio de todas essas suposições, uma coisa é certa: você pode amar muito e muitos, mas a gente só tem um grande amor nessa vida. Mr. Big.

maio 23, 2010

Sobre a nova Folha

Numa era em que o jornal impresso é tido como obsoleto por muitos que dizem estarem seus dias contados, a Folha de São Paulo surpreende e lança uma nova forma de se fazer jornalismo. Através de uma reforma gráfica e editorial, o novo projeto dá prioridade a furos jornalísticos, ressalta a relação entre texto e imagem e implanta o conceito de sintetizar as matérias analíticas.

Há exatamente uma semana, o meio jornalístico parou para prestar atenção em um comercial da Folha em que Fernanda Torres convidava o leitor a descobrir uma nova Folha de S. Paulo. Profissionais do ramo, comunicadores e leitores viram-se atraídos por um mistério que só seria desvendado no domingo seguinte. Chegado o grande dia, o jornal de maior circulação do país esbanja profissionalismo e mostra à concorrência e ao mundo como se modifica um modelo consagrado, fazendo-o se tornar ainda melhor. Com mudanças desde a linha editorial, até o tamanho da fonte do jornal, a Folha revitaliza sua forma de fazer jornalismo ao mesmo tempo em que busca modernizar a figura do jornal impresso, adequando-o à nova demanda exigida por seus fieis seguidores: leitura mais rápida de conteúdos objetivos. A grande novidade gira em torno da Redação, que buscará levar informação 24 horas por dia aos leitores, em suas diferentes plataformas: Folha impressa, on-line, notícias via e-mail e smartphone.

O trabalho dos muitos jornalistas e repórteres que compõem a Redação da Folha não é fácil. O novo modelo prevê parte das notícias mais enxutas, atendendo à falta de tempo de grande parte dos leitores, e também análises mais consistentes e de fácil interpretação em questões como política e economia. Além disso, o jornal passa a contar com um grupo de novos colunistas, entre eles um jovem cartunista de 17 anos, a atriz Fernanda Torres comentando o cenário das eleições 2010 e o político Antonio Palocci escrevendo para o novo caderno de economia, batizado de Mercado.

Novos cadernos, novas perspectivas, novos rumos. A Folha de S. Paulo parece ter conseguido colocar em prática tudo aquilo que vem sendo dito sobre o futuro do jornalismo. Como se não bastasse lançar um novo jornal com sucesso, a direção da Folha teve a grande sacada de criar um pequeno documentário cujo nome já diz tudo. Em O Jornal do Futuro, é possível acompanhar etapas da elaboração do novo formato da Folha e analisar os bastidores da Redação através de comentários de quem faz o jornal. Para os leitores, uma boa expectativa perante as novidades apresentadas. Para os jornalistas, um exemplo de comprometimento com a profissão. Simplesmente jornalismo de qualidade.